Varejo do DF avança em janeiro, com destaque para perfumaria e cosméticos

O comércio varejista do Distrito Federal iniciou 2026 com resultados positivos na comparação anual, embora tenha apresentado leve retração na passagem de dezembro para janeiro. Dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgados na terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o volume de vendas no DF recuou 0,3% em janeiro em relação ao mês anterior, já considerando o ajuste sazonal. No mesmo período, a média nacional registrou alta de 0,4%.

Apesar da queda mensal, o cenário foi de crescimento quando comparado ao mesmo período de 2025. Na comparação com janeiro do ano passado, o comércio varejista da capital federal avançou 6,9%. No acumulado dos últimos 12 meses, a alta chega a 4,2%, enquanto o resultado acumulado de 2026 também marca crescimento de 6,9%.

Entre os segmentos analisados, o destaque ficou para o grupo de outros artigos de uso pessoal e doméstico, que registrou aumento expressivo de 35,2% nas vendas em relação a janeiro de 2025, a maior variação positiva entre todas as atividades pesquisadas. O setor mantém trajetória de crescimento desde abril do ano passado.

Outros ramos também apresentaram desempenho positivo, como artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com alta de 13,9%, além de hipermercados e supermercados, que cresceram 7,5%. Também registraram aumento os segmentos de livros, jornais, revistas e papelaria (5,5%) e móveis e eletrodomésticos (1,6%). Por outro lado, três setores apresentaram queda nas vendas: equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-16,6%), combustíveis e lubrificantes (-5,9%) e tecidos, vestuário e calçados (-1,7%).

No varejo ampliado, que inclui também veículos, motos, peças, material de construção e atacado de alimentos, bebidas e fumo, o volume de vendas cresceu 1% em janeiro em relação a dezembro. Já na comparação com janeiro de 2025, o avanço foi de 4,5%. A receita nominal do comércio também registrou aumento. Segundo o IBGE, houve alta de 0,7% na comparação com dezembro e crescimento de 10% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Ao Jornal de Brasília o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, aponta que o desempenho de alguns segmentos está diretamente ligado à melhora no mercado de trabalho e ao aumento da renda das famílias. “O resultado está relacionado à melhora no nível de emprego e ao aumento da renda e dos salários, tanto no setor privado quanto no setor público. No caso do funcionalismo público, houve revisões remuneratórias nos últimos meses, o que também contribuiu para ampliar a capacidade de consumo das famílias”, afirma.

Freire avalia que a leve queda registrada na comparação com dezembro é considerada natural para o período. “Esse resultado está ligado principalmente ao pico de vendas registrado em dezembro, impulsionado por promoções e pelas compras típicas de final de ano. Após esse período de forte movimentação no comércio, é natural que janeiro apresente uma acomodação nos indicadores”, explica.

Segundo ele, embora o início do ano traga sinais positivos para alguns segmentos, ainda é cedo para apontar uma tendência consolidada de crescimento no consumo das famílias. “O desempenho de janeiro foi positivo e até surpreendente em alguns setores. No entanto, é prudente aguardar os resultados dos próximos meses para avaliar o comportamento do mercado com mais segurança”, acrescenta.

Comportamento do consumidor

No comércio local, empresários também observam sinais mistos no comportamento dos consumidores. De acordo com o gerente de compras da Lord Perfumaria, Mariano Cordeiro, as vendas começaram bem em janeiro, mas perderam ritmo no mês seguinte. “As vendas começaram bem em janeiro, com desempenho positivo em relação ao mesmo período do ano passado. Já em fevereiro houve uma queda, com resultados abaixo do registrado anteriormente. Acreditamos que o período do Carnaval pode ter influenciado esse desempenho”, afirma ao Jornal de Brasília.

Segundo ele, as fragrâncias seguem liderando a preferência dos consumidores nas lojas. “Atualmente, as fragrâncias têm sido os produtos mais procurados pelos clientes”, diz. O gerente também observa que os consumidores estão mais atentos aos preços antes de decidir pela compra. “Temos percebido que os clientes estão mais atentos e demonstram maior interesse por promoções e ofertas”, explica.

Para 2026, a expectativa do setor é de crescimento moderado, impulsionado principalmente por datas comemorativas. “A expectativa da loja é alcançar cerca de 10% de crescimento nas vendas ao longo do ano, especialmente nas principais campanhas, como Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais e Natal”, afirma Cordeiro.

Mesmo com o cenário positivo, o presidente da Fecomércio-DF alerta que fatores políticos podem influenciar o ritmo da economia local ao longo do ano. “Estamos otimistas em repetir em 2026 o bom desempenho do último ano. Porém, sabemos que é um desafio, especialmente porque a partir de junho o esvaziamento do Congresso Nacional, comum em períodos pré-eleitorais, pode provocar desaceleração na economia local e impactar o consumo”, avalia.



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