
Mesmo representando 42% dos condutores habilitados no Distrito Federal, as mulheres aparecem em apenas 13% das ocorrências fatais de trânsito registradas em 2025. O dado faz parte de um levantamento divulgado pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), que analisou o perfil das vítimas e dos condutores envolvidos em sinistros com morte no último ano.
Ao todo, o DF tem 1.824.467 motoristas habilitados, sendo 765.096 mulheres. Entre os 404 condutores envolvidos em acidentes fatais em 2025, 53 eram mulheres, 332 homens e 19 não tiveram o sexo identificado.
Apesar da menor participação entre os condutores envolvidos, o número de mulheres que morreram no trânsito aumentou no último ano. Em 2024, foram registradas 33 mortes femininas. Em 2025, esse número subiu para 51, então houve um crescimento de 54%.
Segundo o diretor-geral do Detran-DF, Marcu Bellini, o aumento acende um alerta para a necessidade de reforçar ações educativas voltadas ao público feminino. “Apesar de figurar como minoria entre as vítimas, assusta-nos esse aumento. A mulher sempre foi exemplo de cuidado e respeito às regras de circulação, tanto como condutora quanto em outros papéis no trânsito. Esses dados vão nos ajudar a redirecionar nossas ações educativas voltadas para esse público específico”, afirmou.
No total de vítimas fatais no trânsito, a participação feminina também aumentou. Em 2024, as mulheres representavam 14% das 229 mortes registradas. Já em 2025 passaram a representar 19% das 271 mortes contabilizadas.
Rotina ao volante
A presença feminina no trânsito também se reflete no cotidiano de quem trabalha profissionalmente na direção. A professora Adriana Moreira Alves, de 50 anos, dirige desde os 18 e atua como motorista profissional há mais de duas décadas.
Ela começou a dirigir por influência do pai, que era taxista, e chegou a ajudá-lo ainda jovem. A mudança definitiva de carreira ocorreu em 2011, após o adoecimento dele. Com a morte do pai, assumiu definitivamente a profissão para manter as contas da casa e continuar com o veículo comprado pouco antes. “Eu não tive mais escolha, foi táxi mesmo e direção”, resume.
Hoje, além de trabalhar no táxi, Adriana também atua como motorista para o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal (Sebrae-DF). A rotina é intensa: cerca de 12 horas diárias ao volante, geralmente começando às 6h e seguindo até o início da noite.
Mesmo com a longa experiência, ela afirma que dirigir exige atenção constante. Na avaliação da motorista, o uso do celular e o excesso de velocidade estão entre os principais riscos no trânsito atualmente. “Quando a gente assume a direção de um carro, precisa estar preparado, tanto tecnicamente quanto psicologicamente”, afirma.
Adriana também conta que, ao longo da carreira, já ouviu comentários estereotipados sobre mulheres ao volante, mas afirma que o respeito costuma prevalecer no ambiente profissional. “De vez em quando aparece uma brincadeira sem graça, mas a maioria são pessoas boas, que ajudam quando a gente precisa”, relata.
Perfil das vítimas
Entre as 51 mulheres que morreram no trânsito em 2025, a maior parte era pedestre. Foram 21 casos. Outras 10 vítimas estavam na condição de passageiras e 20 eram condutoras. Entre as motoristas, a maioria era motociclistas, 12 casos.
O tipo de ocorrência que mais matou mulheres no último ano foi o atropelamento. Houve aumento de 47% em relação a 2024, quando 15 pedestres do sexo feminino morreram.
Outro ponto que chamou a atenção no levantamento foi a mudança na faixa etária das vítimas. Em 2024, a maioria das mortes de mulheres ocorreu entre 20 e 39 anos. Já em 2025, o grupo mais afetado foi o de pessoas entre 60 e 79 anos, com 19 registros.
O levantamento também apontou que, entre as 20 condutoras mortas, apenas 14 eram habilitadas. Cinco não possuíam carteira de motorista e uma tinha habilitação incompatível com a categoria do veículo conduzido.
Onde ocorreram os acidentes
A maior parte das mortes femininas ocorreu em rodovias distritais e federais, com 31 registros, enquanto 20 ocorreram em vias urbanas. Entre as avenidas com maior número de casos estão a Avenida Recanto das Emas e a Avenida Central do Gama, ambas com duas mortes cada. No recorte por região administrativa, o Plano Piloto registrou cinco ocorrências, seguido por Taguatinga, Recanto das Emas e Ceilândia, com dois casos cada. Nas rodovias, a DF-001 (EPCT) concentrou seis ocorrências fatais envolvendo mulheres, enquanto a BR-020 registrou três.
Educação para um trânsito mais seguro
Para a gerente de Ação Educativa do Detran-DF, Magda Brandão, os números servem como base para orientar campanhas de conscientização no trânsito.
Segundo ela, o fato de as mulheres representarem 42% das pessoas habilitadas no DF e estarem envolvidas em 13% dos acidentes fatais indica a necessidade de reforçar ações educativas voltadas a esse público, sem deixar de contemplar os demais grupos. “A mulher continua contribuindo para um trânsito mais seguro, mais empático e mais respeitoso às regras de circulação”, afirma.
A gestora destaca ainda que a presença feminina no trânsito tem aumentado não apenas como passageira, mas também como condutora de carros e motocicletas.
Magda reforça que a principal medida para reduzir mortes no trânsito é o comportamento seguro dos condutores. Entre as orientações mais importantes estão respeitar os limites de velocidade, cumprir a legislação e manter atenção total à via. O uso do celular ao volante, segundo ela, continua sendo um dos principais fatores de risco. “A orientação é simples: se precisar atender o telefone ou responder uma mensagem, pare o veículo em local seguro. Pequenas atitudes fazem diferença para salvar vidas”, concluiu.
Saiba mais
O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) oferece cursos gratuitos de capacitação e formação para condutores. As atividades incluem qualificação profissional, formação para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e capacitações específicas voltadas também ao público feminino.
Cursos com turmas abertas:
Março
• Emergência
Turma: 18 de março a 8 de abril (matutino)
• Motofrete
Turma: 23 a 28 de março (matutino)
• Noções de Mecânica para Mulheres
Turma: 16 a 20 de março (matutino)
Abril
• Curso para obtenção da CNH
Turmas:
– 6 a 10 de abril (vespertino)
– 13 a 17 de abril (noturno)
• Iniciação à superação do medo de dirigir
Turma: 6 a 14 de abril (vespertino)
• Noções de Mecânica para Mulheres
Turma: 13 a 17 de abril (matutino)
Cursos especializados
• Motofrete
Turma: 13 a 18 de abril (matutino)
• Condutor de Transporte Coletivo de Passageiros
Turmas:
– 8 a 17 de abril (noturno)
– 22 a 29 de abril (noturno)
Os cursos são oferecidos gratuitamente pelo Detran-DF e as inscrições poderão ser feitas presencialmente na sede.
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