Começaram as audiências de instrução do Caso Anchieta

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Os três técnicos de enfermagem acusados pelas mortes de pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta compareceram, nesta quarta-feira, à primeira audiência de instrução do caso no Fórum de Taguatinga. Os réus Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos; Amanda Rodrigues de Sousa, de 28; e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22, enfrentam um processo que corre em segredo de Justiça e cujas penas somadas podem chegar a 90 anos de prisão.

As audiências continuam nos dias 29 de maio e 1º de junho, às 14h, no plenário do Tribunal do Júri de Taguatinga. Ao final desta etapa, poderá ocorrer o interrogatório dos réus.

Como o processo tramita em segredo de Justiça, as sessões são fechadas e só podem ser acompanhadas pelas partes e interessados já cadastrados, como os assistentes de acusação. Nesta fase de instrução, acontece a produção de provas, não se tratando ainda de um julgamento definitivo.

Segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), ao todo, o processo contará com o depoimento de 32 testemunhas. No primeiro dia de oitivas, estavam previstas para serem inquiridas as primeiras oito testemunhas comuns, indicadas tanto pela acusação quanto pelas defesas. Ate o fechamento desta edição, três pessoas já tinham prestado depoimento, incluindo o delegado Mauricio Iacozzilli. 

A programação segue nos próximos dias com a oitiva de mais 16 testemunhas comuns, divididas igualmente entre as sessões dos dias 29 de maio e 1º de junho, ambas com início às 14h. Além dessas datas, o magistrado designou o dia 8 de junho, às 9h, como uma possivel data para a oitiva das oito testemunhas exclusivas da defesa e o interrogatório dos três acusados.

Os acusados são suspeitos pelas mortes da professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos; do servidor público João Clemente Pereira, de 63; e do carteiro Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33.

Manifestação das partes

Em nota enviada à imprensa, a defesa de Amanda afirmou que está inaugurada a fase do contraditório em juízo. “Os fatos imputados serão esclarecidos, porque os advogados passam a participar do interrogatório, oportunidade em que será assegurada à acusada Amanda a primeira oportunidade de ter comprovada a sua inocência.”

Ao JBr, Denilza da Costa Freire, viúva de Marcos Raymundo, desabafou sobre o momento: “A audiência representa um momento extremamente difícil, mas também traz esperança de que os fatos sejam esclarecidos e que a justiça seja feita. É impossível viver tudo isso sem reviver diariamente a dor da perda dele. Nada vai trazê-lo de volta, mas queremos que a memória dele seja respeitada e que todo o processo seja conduzido com a seriedade que o caso merece.”

Ela e a filha ainda tentam aprender a conviver com a ausência de Marcos. “Neste momento, prefiro me manifestar com discrição, preservando a nossa filha e a memória linda do pai incrível que ele sempre foi. Esperamos que tudo seja devidamente apurado e que os acusados sejam responsabilizados com penas justas. Sabemos que nenhuma condenação será capaz de reparar a ausência e a dor que ficaram, mas seguimos acreditando na Justiça.”

Relembre o caso

As investigações foram iniciadas após a revelação de três mortes consideradas suspeitas, ocorridas no fim de 2025.

De acordo com o inquérito da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP) da Polícia Civil, os óbitos foram classificados como homicídios triplamente qualificados, com as qualificadoras de uso de substância venenosa, emprego de meio insidioso e recurso que dificultou a defesa das vítimas.

De acordo com informações do TJDFT, contra Marcos Vinícius pesam acusações por cinco tentativas de homicídio qualificado — sendo quatro contra a professora aposentada Miranilde e uma contra o servidor público João Clemente — além de três homicídios qualificados consumados contra as mesmas duas vítimas e o carteiro Marcos Raymundo.

Já Marcela Camilly é acusada de participar das mesmas cinco tentativas de homicídio qualificado, sendo quatro contra Miranilde e uma contra João Clemente, além dos três homicídios qualificados consumados contra Miranilde, João Clemente e Marcos Raymundo.

A outra ré, Amanda Rodrigues, foi acusada de cinco participações em tentativas de homicídio qualificado, divididas em quatro contra a vítima Miranilde e uma contra João Clemente, além de três participações nos homicídios qualificados consumados das três vítimas.



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