No JBr Eleições, Celina assume responsabilidades e apresenta propostas

Celina Leão fala ao JBr Eleições/ Foto: BRuno Alpino

A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição Celina Leão (PP) abriu o ciclo de sabatinas do segundo turno do Jornal de Brasília detalhando as estratégias para conquistar os sufrágios que lhe faltaram para liquidar a disputa ainda em primeiro turno, definida por uma margem de apenas 167 votos. Ao JBr Eleições, a chefe do Executivo local dedicou esforços a apresentar propostas para problemas como saúde, educação, cultura e esporte.

Durante a entrevista, Celina enfatizou que, segundo o entendimento de sua campanha, a vitória não veio no primeiro turno graças a erros de digitação do seu número nas urnas. Para a candidata à reeleição, cerca de 26 mil eleitores digitaram o 22 ao invés do 11 – seu número na urna.

A governadora destacou que, mesmo diante de um cenário eleitoral adverso e de intensos ataques por parte de seus opositores, pautou sua trajetória pela condução de uma campanha propositiva e respaldada em dados técnicos. Entre os pilares da sua plataforma para o eventual novo mandato, o atendimento médico à população e o fortalecimento da rede pública de ensino assumem protagonismo central.

“A nossa campanha sempre foi pautada pelo respeito ao eleitor e pela apresentação de propostas concretas. Não nos deixamos levar por ataques ou fake news. O cidadão do Distrito Federal quer saber o que foi feito de verdade e o que vamos entregar nos próximos quatro anos”, afirmou a governadora durante a sabatina.

Entre os pilares da sua plataforma para o eventual novo mandato, o atendimento médico à população e o fortalecimento da rede pública de ensino assumem protagonismo central.

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Saúde

A área da saúde, historicamente apontada como um dos maiores gargalos da gestão pública no Distrito Federal, foi o tema de maior detalhamento durante a sabatina. Reconhecendo as dificuldades ainda enfrentadas pelos cidadãos nas filas dos prontos-socorros e centros de atendimento, a Celina Leão sustentou que a solução do problema exige um planejamento integrado, que alia a expansão da infraestrutura física ao reforço das equipes profissionais e à modernização tecnológica dos sistemas de regulação.

No que tange à recomposição da força de trabalho, a chefe do Executivo destacou que o governo possui um cronograma estruturado para a convocação e contratação de novos servidores. A proposta abrange diferentes níveis da assistência médica e hospitalar, incluindo técnicos de enfermagem, enfermeiros, cirurgiões-dentistas, agentes comunitários de saúde e médicos de diversas especialidades.

Segundo a gestora, mesmo no curto período recente de gestão, foram contratados quase 700 médicos, dos quais aproximadamente 300 foram direcionados especificamente para reforçar os setores de urgência e emergência da rede.

“Saúde se faz com profissionais vocacionados e com estrutura. Tivemos a coragem de convocar quase 700 médicos em um curto espaço de tempo e colocar 300 deles diretamente na urgência e emergência para aliviar a ponta. Mas sabemos que a demanda é grande e que precisamos de mais força de trabalho qualificada em todas as Ras”, pontuou.

Para equacionar a carência de profissionais em regiões mais distantes do Plano Piloto, como Brazlândia e Planaltina, a candidata ressaltou a necessidade de dar continuidade aos concursos públicos e de promover um reajuste na tabela salarial dos médicos atuantes na atenção primária. A avaliação apresentada indica que os vencimentos atuais — fixados em cerca de R$ 8 mil para jornadas de 20 horas semanais — tornam-se pouco atrativos diante do mercado privado e de plantões avulsos, dificultando a fixação de profissionais nessas localidades.

“O médico que se forma muitas vezes prefere dar plantões particulares a assumir uma carga de 20 horas no serviço público por R$ 8 mil em uma região mais distante. Precisamos valorizar essa tabela da atenção primária para fixar os profissionais nos postos de saúde de Planaltina, de Brazlândia e onde o cidadão mais precisa”, defendeu.

Além da recomposição de pessoal, o plano de governo para a saúde prevê a ampliação da rede física de atendimento rápido. Estão em andamento e planejadas as construções de sete novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), com previsão de entrega de cinco delas até o final do exercício atual. A expansão contempla regiões que historicamente careciam dessa estrutura, como Taguatinga — cuja unidade se encontra com 80% das obras concluídas —, Guará, Águas Clientes, Águas Claras, Estrutural e Varjão/Araponga. Juntas, as novas unidades terão capacidade para somar cerca de 700 mil atendimentos anuais.

“Estamos entregando unidades modernas que chegam a quase 700 mil atendimentos por ano. Taguatinga já está com 80% das obras concluídas e logo estará aberta à população. Isso tira a pressão sobre os grandes hospitais e garante um primeiro atendimento rápido e perto de casa”, frisou a gestora.

No campo da gestão e da tecnologia, a governadora anunciou o avanço do processo de licitação para a implementação do Prontuário Único Eletrônico em toda a rede pública do Distrito Federal. A ferramenta permitirá o compartilhamento imediato do histórico clínico do paciente entre diferentes unidades de saúde.

Paralelamente, o Executivo trabalha na substituição do antigo sistema de software de regulação por uma plataforma moderna, visando dar transparência e agilidade ao gerenciamento das filas de espera por consultas e cirurgias.

“É inadmissível que no século XXI o histórico do paciente fique preso em papel de um hospital para o outro. Com o Prontuário Único e a modernização do sistema de regulação, o médico terá acesso imediato aos exames na tela do computador, reduzindo o tempo de espera e acabando com a duplicidade de procedimentos”, explicou.

Educação e servidores

A educação pública figurou como outro eixo estratégico nas diretrizes apresentadas pela governadora para os próximos quatro anos. Ao fazer um balanço do setor, a gestora enfatizou que a garantia de um ensino de qualidade passa impreterivelmente pelo respeito aos direitos dos trabalhadores da educação, pela regularidade no pagamento de salários e pelo aumento constante do quadro de educadores nas escolas da rede pública de ensino.

A candidata relembrou os desafios orçamentários enfrentados por gestões anteriores no DF, destacando que seu compromisso permanente foi assegurar a honra aos compromissos financeiros com o funcionalismo público.

“Garantir o salário em dia e o 13º do servidor não é favor, é obrigação de quem tem responsabilidade com a máquina pública. Diferente do passado, hoje o professor sabe o dia que vai receber e trabalha com a tranquilidade de que seus direitos estão assegurados”, declarou a governadora.

Para o próximo mandato, caso eleita, as propostas para a educação incluem a ampliação do quadro efetivo com a manutenção de chamamentos regulares de aprovados em concursos públicos para professores e carreiras de apoio à educação, visando reduzir a dependência de contratos temporários e garantir a continuidade pedagógica.

Na sequência, a candidata propôs a modernização da infraestrutura escolar a partir das reformas estruturais, ampliação de cobertura de quadras poliesportivas e melhoria nas instalações físicas das unidades de ensino, especialmente nas regiões administrativas de maior vulnerabilidade social.

Fortalecimento de programas como o Ginástica nas Quadras e expansão das atividades nos Centros Olímpicos e Paralímpicos, integrando o ambiente escolar às práticas esportivas no turno oposto ao das aulas.

“Escola de qualidade precisa de professor valorizado e de estrutura digna. A nossa meta é continuar chamando os aprovados em concurso e garantir que as salas de aula tenham os recursos necessários para formar os jovens do DF”, completou.

Esporte, lazer e cultura

Integrando as políticas de saúde preventiva e desenvolvimento educacional, as propostas para o esporte e a cultura foram apresentadas como ferramentas complementares de promoção da cidadania. A governadora destacou a meta de garantir que as opções de lazer e atividade física estejam acessíveis nas proximidades das residências dos moradores de todas as regiões administrativas.

“Esporte e cultura são saúde preventiva. Quando construímos um parque ou levamos uma escolinha de esporte para dentro da comunidade, estamos tirando o jovem da vulnerabilidade e cuidando da saúde da população idosa”, destacou.

Entre as realizações e metas para o setor esportivo, destacam-se a criação de sete novos parques públicos, a construção de ciclovias e a revitalização de espaços comunitários, como a transformação de antigos depósitos de lixo na Vila Estrutural em áreas de lazer com quadras e parquinhos infantis.

O governo projeta ainda a ampliação dos recursos destinados à execução de emendas parlamentares voltadas a projetos desportivos comunitários, apoiando escolinhas de artes marciais, projetos sociais de artes e atividades físicas voltadas para a terceira idade no programa 60+.

Na área cultural, a gestora pontuou que o reequilíbrio financeiro do DF permitiu a retomada gradual dos investimentos no setor. O plano de ação prevê o fortalecimento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), a recuperação de equipamentos culturais públicos nas cidades satélites e o fomento a parcerias com entidades da sociedade civil, visando descentralizar a produção artística e garantir acesso equitativo aos bens culturais em todo o DF.



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